A aposentadoria de Serginho e o aprendizado que ele deixa para o voleibol

O dia 16 de maio de 2020 será marcado para os fãs de voleibol como a data que um dos maiores jogadores do esporte deixou as quadras. Através de um post nas mídias sociais, Serginho avisou que parou em definitivo: anunciando sua aposentadoria. Curiosamente, o seu nome está estritamente ligado a posição de líbero, sendo que ele revolucionou o esporte com atuações ‘absurdas’ e impondo um jogo de velocidade através de um fundo de quadra impecável.

O maior líbero da história do voleibol brasileiro e, porque não falar do mundo, tem quatro finais olímpicas seguidas, com duas medalhas de ouro. Somam-se a isso os títulos de bicampeão mundial, tricampeão da Copa do Mundo, nove vezes campeão da Liga Mundial, campeão pan-americano, diversas vezes campeão sul-americano, campeão de Superliga.

Aos 44 anos de idade, Sérgio Dutra dos Santos se tornou não apenas referência no esporte, mas também na vida ao colocar o vôlei como uma opção para enfrentar as dificuldades da infância. Quem teve a oportunidade de conhecer Escadinha sabe da alegria com quem vive o dia a dia, mas também da dedicação que tinha em cada treino, em cada jogo, independente das medalhas no peito já adquiridas.

Os Jogos Olímpicos/Rio 2016 foram de grande emoção, não apenas pelo ouro da Seleção Brasileira, mas também por ser uma despedida com a camisa verde e amarela em grande estilo para Serginho. A pandemia da COVID-19 acelerou o fim de sua carreira, entrando em quadra pela última vez em 7 de março pela Superliga 2019/2020.

“Chegou o momento. Quem viu o Serginho, quem viu a seleção brasileira com o Serginho, viu. Agora é só por vídeo”, disse o bicampeão olímpico que deu dicas sobre o seu futuro.

“Voleibol é o que eu sei fazer e quero passar isso adiante. Não quero morrer com tudo que aprendi. Hoje posso parar, posso encerrar a carreira, relembrar de tudo e saber que valeu a pena. Meu choro hoje é de felicidade. A partir de agora, quem quiser lembrar de mim, jogue voleibol. Só isso”, concluiu.

Um breve relato

Ver um jogo do Serginho é vivenciar o esporte em sua essência. O modo como ele ia em cada lance, em cada bola que poderia não ser alcançada (e muitas vezes era salva) fazia com que o jogo ficasse ainda mais emocionante. O modo elétrico com que ele entrava em quadra seja contagiando ou cobrando seus companheiros era visto com admiração. Quando foi revelado que ele já passará por algumas cirurgias e tem quatro pinos nas costas, ficou ainda mais evidente o quanto ele se dedicava pelo voleibol.

Ir assistir a uma partida com a presença do Serginho era sinônimo de emoção. Não faltava energia em quadra e, muitas vezes, cheguei a ficar espantado com a facilidade com que ele colocava uma bola nas mãos do levantador, após receber uma ‘pancada’ no saque ou um ataque que deveria já ‘alegrar’ a todos por ser uma defesa, mas que de tão perfeita acabava virando um ‘passe’ para um contra-ataque. Um líbero espetacular, um cara de inúmeras histórias memoráveis e entrevistas pra lá de divertidas.

Muito obrigado Serginho

foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV

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