sábado, 25 de julho de 2015

Fora ou dentro da quadra, jogadores viram dirigentes de alto nível

No futebol é bastante comum ver um ex-jogador virando técnico ou gerente em pouco e, muitas vezes, sem ter a qualificação necessária para a nova função. No caso do voleibol, a passagem de dentro para fora da quadra tem como principal característica, e talvez a mais importante, a identificação com um determinado projeto. Em tempos de dificuldades para conseguir patrocinadores e manter equipes ativas, nomes como André Heller, Gustavo Endres, Roberto Minuzzi, Dentinho, entre outros, são alguns exemplos positivos.

André Heller encerrou sua carreira como jogador em Campinas, quando a equipe tinha a Medley como patrocinador máster. Mesmo em um momento de muita dúvida, o campeão olímpico conseguiu, ao lado de Maurício Lima (outro medalhista de ouro), um novo parceiro (no caso o Brasil Kirin). Até hoje, seu nome está ligado a um projeto sólido que faz muitas ações junto a cidade paulista, unindo a comunidade e o alto rendimento esportivo.

Se o Bento Vôlei aparece novamente na elite nacional na temporada 2015/2016, com certeza se deve boa parte disso a presença de Dentinho. O ponteiro foi fundamental para a volta da equipe de alto rendimento na cidade gaúcha. Tanto dentro quanto fora da quadra ele foi responsável por ser a ‘cara’ do time para patrocinadores, apoiadores e, principalmente para o torcedor local, sedento pela volta do esporte ao município. Aguardem arquibancadas fervendo.

Nos casos de Gustavo Endres e Roberto Minuzzi, que até a temporada passada estavam jogando pelo Vôlei Canoas, o que se vê é o mesmo comprometimento em quadra, agora na questão administrativa. Os ex-jogadores mostram muito entusiasmo com as novas tarefas, sendo que o ex-central será um dos embaixadores e responsável pelas relações institucionais do clube gaúcho, enquanto o ex-ponteiro cuidará da parte de captação de recursos e da elaboração de novos projetos.

“Estamos participando desde a montagem do elenco, do orçamento, da capitação de recurso, das visitas as empresas, estamos vendendo mais do que somente a visibilidade de aparecer na TV e na camisa (...) É um leque de coisas que se abrem e eu estou muito motivado em participar. Até no ajudar na água, no limpar a quadra eu estou disposto a fazer porque é um aprendizado”, declarou Gustavo.

“A gente sempre pensa em como entregar algo novo e diferente para o projeto. Só assim a gente consegue chamar a atenção e fazer valer a pena o investimento no vôlei. A gente já entrega contrapartidas diversas para cada parceiro que vem apoiar, como palestras e eventos (...) A nossa saída da quadra para fora vem pensada e estruturada, visando o rendimento. Antes era muito distante a quadra da gestão e o Gustavo faz essa parte. A minha parte é de procurar novos parceiros e entregar modelos novos de captação”, disse Roberto Minuzzi.

Observando esses profissionais e o modo como eles falam a respeito de seus projetos e da possibilidade de agregar valor ao voleibol, podemos dizer que um caminho está sendo traçado de maneira sólida em alguns clubes do país. Quem sabe com o tempo não conseguimos ver isso mais a fundo na Confederação Brasileira de Vôlei, com pessoas identificadas com o esporte e acima de tudo capacidades nas funções que estejam exercendo. Mais uma temporada está começando e a perspectiva de se ver uma Superliga melhor do que a anterior, não apenas na quadra, mas também fora dela, é boa, ainda mais com projetos desde nível.

foto: Matheus Beck/Vôlei Canoas

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