Campeonato Baiano aparece como retrato do esporte nordestino

A Superliga 2014/2015 começa neste sábado sem a presença de um representante nordestino no naipe masculino. Não é de hoje que a região não figura na elite nacional do voleibol, porém ao que tudo indica essa situação está longe de mudar. As informações colhidas sobre o Campeonato Baiano (um dos mais tradicionais do país) mostram um retrato no mínimo triste sobre o futuro da modalidade.

De forma no mínimo surpreendente, as equipes de Atlética Premium e Vitória, campeões estaduais em 2012 e 2013, respectivamente, acabaram de fora da fase final do Campeonato Baiano 2014, que ocorreu na cidade de Luis Eduardo Magalhães. Representantes dos dois clubes entraram em contato com o Espaço do Vôlei explicando o porquê das ausências, deixando diversas perguntas à Federação Baiana de Vôlei que não respondeu aos questionamentos.

“A confirmação da fase decisiva em Luis Eduardo Magalhães foi recebida no dia 20 de setembro, prazo final estipulado pela FBV. No entanto não foi levado em consideração a distância e os custos com transporte. Há de se perguntar, como as outras equipes conseguiram chegar até lá. Por que arriscaram na compra de passagens com antecedência. Acreditamos, se assim o fizeram, que talvez tivessem alguma informação que Vitória e Atlética não tiveram”, declarou Candida Maiffre Ribeiro Costa, da Atlética Premium.

"O voleibol baiano tem muito potencial, atletas fisicamente muito fortes, porém as competições são poucas, o que desmotiva as equipes. Precisamos de mudanças na entidade, que deveria olhar para todas as equipes e fomentar o voleibol, buscar parcerias e realizar mais eventos, nas suas diversas categorias", disse o coordenador-técnico do Vitória, Marcio Xavier.        

Para se ter uma ideia, a fase final do Campeonato Baiano teve a presença de seis clubes e acabou com a vitória o ACEO/Barreiras, porém a divulgação da competição foi pequena, ficando restrita a região de Luis Eduardo Magalhães. O que se vê atualmente é que competições não-oficiais, ou seja, sem a participação da FBV, vem atraindo mais equipes e torcedores, e clubes como Atlética Premium e Vitória acabam participando até para se manterem ativos. 

Nos bastidores já existe a movimentação de alguns clubes que estão insatisfeitos com a administração de Hércules Pimenta (terceiro mandato a frente da FBV). O problema envolvendo as ausências dos clubes de Salvador na fase final do Estadual e as campanhas irregulares das seleções de base do Estado mostram um desgaste entre entidade e equipes filiadas. Resta saber se a união dos times será capaz de modificar esse panorama em prol do voleibol.

foto: Divulgação

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