(A crise no vôlei brasileiro – parte 2) – O apoio da CBV e o maldito calendário

Que o vôlei brasileiro é um dos mais fortes do mundo, isso não se tem dúvida, agora dizer que a Superliga é a competição mais equilibrada e disputada que existe chega a ser exagero. Temos grandes jogos, alguns clássicos, mas estamos distantes de país como Rússia, Itália e Polônia de fazer uma competição atrativa para todos, incluindo assim, mídia, clubes e, principalmente, torcedores. 

Na temporada 1994/1995, a Confederação Brasileira de Vôlei resolveu buscar no exterior os medalhistas olímpicos e distribuí-los entre as equipes. Estava assim criada a Superliga, que chamava a atenção da mídia mais pela presença de grandes jogadores do que propriamente pela competição. Chegando em 2012/2013 vimos algumas mudanças no regulamento, a criação de um ranking no mínimo duvidoso e podemos dizer que pouca coisa realmente mudou. 

A CBV deixou de contratar atletas, com apoio de parceiros como o Banco do Brasil e atualmente observa de longe a movimentação de um mercado inflacionado. A entidade, que devia ajudar os clubes formadores de atletas se fixa na utilização do ranking, querendo assim ‘valorizar’ a base, porém faz mil e uma exigências a cada equipe que tenta ingressar na Superliga. 

No atual sistema, uma empresa que queira ingressar no voleibol brasileiro precisa apenas de capital para se aproximar da CBV, que ao invés de indicar seus filiados e prospectar novos parceiros, apenas autoriza a criação de novos times. Não podemos esquecer que a Superliga é uma competição cara e isso delimita a possibilidade de alguns clubes. 

Uma Superliga dura em torno de cinco meses, imagine alguém investir milhões para uma temporada e ver sua marca aparecer na principal competição em menos de meio ano. No é de hoje que dirigentes de clubes, jogadores e treinadores querem um torneio mais longo, que possa manter a equipe em atividade por mais tempo. Entretanto, a CBV acredita que mais jogos possam acarretar em uma competição arrastada e desinteressante para o público e a mídia. 

Bom, vejamos. Nesta Superliga tivermos ginásios lotados em partidas marcadas para às 18h de uma quinta-feira ou em sábado, às 10h. Além disso, o forte calor do verão não impediu que várias pessoas fossem assistir as duas equipes em quadra. Talvez o mais complicado seja conseguir acompanhar jogos toda quinta-feira e sábado, principalmente, nos playoffs. 

Em um mundo perfeito, o calendário do voleibol brasileiro teria espaço para uma Superliga de noves meses de duração, com jogos espaçados, sem atropelo de datas. Além disso, a criação de uma Copa do Brasil, onde clubes da elite nacional enfrentariam times da Superliga B e da Liga Nacional. Para completar, a possibilidade de um final de semana com Jogo das Estrelas, com votação online, escolha de melhores atletas por posição e que possa ser itinerante a cada temporada.

O Espaço do Vôlei aprova a campanha: #UnidosporumaSuperligamelhor

foto: Divulgação

Comentários

  1. Entendo que seja super complicado tentar fazer algo para mudar. No entanto, acho extremamente justa a campanha e amaria encontrar uma solução onde possamos brigar pelo esporte que é tão vitorioso, mas nada valorizado em nosso país.
    #UnidosporumaSuperligamelhor

    Fabiana

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  2. Olá.
    Parabéns pelo blog e pela campanha.

    Vou contribuir com uma sugestão:

    1) Copa do Brasil: 32 times; 8 chaves de 4 times; 8 quadrangulares em sedes que não haja times na Superliga. Classificam 2 de cada chave (sobram 16).4 quadrangulares em 4 sedes (de preferência diferentes das anteriores). Classificam 2 por chave; Finais em 1 sede só: quartas, semi e final. Cada quadrangular em 1 semana (3 dias de jogos). Ou seja, seriam 3 semanas (1 p/ 32; 1 p/16; 1 para Finais)
    2) Superliga:
    a) 1a Fase: Divide-se os 12 times em 3 níveis; REaliza-se triangulares, com 1 time por nível; a cada rodada são 4 chaves de 3; Faz-se 4 rodadas, de modo a todos jogarem contra todos pelo menos 1 vez; Na 1a rodada, as sedes são dos times nível 3, na 2a, do N2, na 3a, do N1 e na 4a, sedes diferentes (cidades fora da SL); A última (5a) rodada da 1a fase são 3 quadrangulares, com os times do mesmo Nível se enfrentando em sedes fora da SL; Play-off em cidade-sede única, com 3 rodadas: quartas, semi e final; Campeão ganha "Taça Bebeto de Freitas" ou algo do tipo. Aí seriam 6 semanas.
    b) 2a fase: Turno e Returno "normal" - 22 rodadas = 11 semanas
    c) 3a fase: A classificação final é feita levando-se em conta somatório da 1a fase (menos play-off) e 2a fase. Os 12 se classificam, sendo que os 4 primeiros ficam fora da 1a rodada dos play-offs. Jogam 4o x 12o, 5o x 11o e assim por diante em melhor de 3. Assim, os play-offs finais teriam 4 rodadas so invés de 3. Seriam mais 6 semanas.

    Total calendário = 6 + 11 + 6 = 23 semanas. Descontando Natal, Ano Novo e Carnaval, temos 26 semanas, ou 6 meses de SL + 1 mês de Copa do Brasil.

    De repente, a entidade organizadora (Liga, CBV, o que for) contrataria 12 jogadores "de seleção" e distribuiria 1 para cada equipe, como atrativo a mais

    Enfim, acho que atenderia os clubes e criaria um produto atrativo ao público, mídia e patrocinadores.

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