Com projeto estruturado, UFC/Ceará deve virar referência no nordeste

A Superliga B chega ao seu final no próximo domingo com o duelo entre Apav/Canoas e Funvic/Midia Fone. Entretanto, a competição, que teve sua primeira edição este ano, mostrou que o voleibol não vive apenas no eixo Rio-SP-Minas-Sul. Uma das maiores virtudes do torneio foi apresentar para o Brasil alguns clubes que estavam restritos a suas regiões e que buscam com bons projetos alcançar um número maior de admiradores e apoiadores. 

A UFC/Ceará, que atualmente aparece como o principal time da região nordeste, pois chegou as semifinais da Superliga B, mostra que tem tudo para alavancar seu projeto a cada ano e alcançar muito em breve um lugar na elite nacional. O Espaço do Vôlei fez algumas perguntas para o coordenador de atividades desportivas da Universidade Federal do Ceará, Wildner Lins, um dos idealizados da equipe de vôlei. 

- Qual a análise que você faz sobre o trabalho da UFC/Ceará na Superliga B e o que achou desta primeira edição do torneio? 

A colocação da equipe na competição foi satisfatória em relação às metas traçadas e apresentamos ao longo da competição um bom nível competitivo. Enfrentamos dificuldades operacionais comuns a uma primeira empreitada e ao pouco tempo de preparação entre a confirmação da participação o início do torneio. A competição apresentou um bom nível organizacional, demonstrando que a CBV oferece tratamento adequado aos parceiros independente do nível da competição. O nível técnico das equipes também foi satisfatório para uma primeira edição do evento. O evento torna-se um laboratório para que equipes fora do eixo sudeste-sul desenvolvam suas capacidades em busca do aperfeiçoamento de suas ações e do vôlei dos estados participantes, criando assim, uma cultura de prática desportiva profissionalizada capaz de massificar o vôlei de rendimento brasileiro. 

- Hoje, o que o senhor acha que falta para uma equipe nordestina chegar pela primeira vez a elite da Superliga Masculina? 

Assim como outras áreas da atuação profissional, o esporte sofre influência da economia local, como demonstra a hegemonia paulista na grande maioria das modalidades. Apesar disso, atualmente a nossa expectativa é que o Ceará possua equipe capaz de competir na Superliga a médio prazo. O investimento nas competições locais é a opção mais eficaz nesse sentido, pois a geração de talentos é a alternativa para concorrer com a diferença orçamentária que ainda apresenta-se entre as equipes das diversas regiões do país. 

- O Mauricio Bara (técnico e idealizador do projeto da UFJF) disse que além de patrocinadores a estrutura de uma universidade pode ser uma saída para o vôlei. Como você vê a ligação do time de vôlei com a comunidade acadêmica? 

O Maurício deve ser considerado uma referência para o esporte brasileiro por essa iniciativa. As universidades têm uma natureza de formação profissional diversificada nas áreas de atuação humana, sendo capazes de gerar e difundir conhecimento nos diversos setores da sociedade, fomentando o gerando desenvolvimento desses setores. Historicamente isso é demonstrado através dos hospitais universitários, escritórios de praticas jurídicas, empresas juniores de tecnologia e econômicas entre outras. O esporte agora começa a voltar suas atenções para essa possibilidade, o que já acontece intensamente nos Estados Unidos e está sendo implantado no Brasil, principalmente pela Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU). Considero que o modelo americano não seja o adequado para o brasileiro e nem mesmo para os Estados Unidos, que apesar do êxito esportivo obtido principalmente através do esporte universitário e escolar, produziu uma superpopulação de sedentários que não se identificaram com o esporte de alto rendimento desenvolvido pelas instituições de ensino do País. No Brasil, as universidades devem adotar uma política de excelência esportiva que associe o esporte educacional, o de participação e o de rendimento, fazendo com que cada um contribua para o desenvolvimento do esporte brasileiro como um todo. As Universidades têm a natureza de associar setores distintos e os desenvolve-los, apresentando uma estrutura adequada para contribuir no crescimento do esporte brasileiro, ao mesmo tempo em que atuam na sua missão de contribuir com a sociedade através do ensino, pesquisa e extensão. 

- Quais os planos para o futuro, sejam torneios regionais, Liga Nacional ou novamente a Superliga B? 

Agora voltamos a atuar no desporto universitário cearense, e em seguida e paralelamente, atuar no Campeonato Cearense Juvenil e Adulto. O Ceará tem recebido significativas contribuições do desporto universitário, principalmente através da UFC e da Unifor, que a partir desporto universitário cearense e nacional dimensionam e ampliam suas ações para o desporto de rendimento como um todo. A Superliga B é uma das competições prioritárias para o desporto cearense e como tal receberá o mesmo apoio do meio acadêmico, do governo cearense e municipal. O Ceará deve entrar mais forte na próxima competição e a meta é uma classificação melhor em 2013. 

foto: Laudemir Nogueira /CBV

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Fabiano Magoo convoca jogadores para a Seleção Brasileira Sub-19

Apan/Blumenau contrata Thiago Alves e confirma sete renovações

CBV divulga tabela oficial da Superliga B com estreia no dia 24 de janeiro