Em entrevista, Toaldo, da Get Sports, fala sobre o Londrina

Você já conferiu na última quinta-feira aqui uma entrevista com o central Marcelão, ex-jogador do Londrina/Sercomtel. Nesta segunda-feira, quem responde algumas perguntas é Carlos Roberto Toaldo, ex-atleta e, atualmente, um dos representantes da Get Sports, empresa que montou boa parte do elenco da equipe paranaense para a Superliga passada. Confira abaixo, o que o ex-jogador da Seleção Brasileira e hoje comentarista da Bandsports tem a dizer sobre a situação do clube, que envolve dívidas e até mesmo o final do projeto.

- Qual era a sua relação com dirigentes e a prefeitura de Londrina?

A relação é estritamente profissional com os dirigentes da equipe, uma vez que minha empresa (a Get Sports) foi contratada por eles para auxiliar na montagem do projeto. Com a prefeitura não temos vinculo algum. Quem mantém o vinculo com o prefeito são os dirigentes (...) Fomos contratados pelo projeto para consultoria e o fizemos com sucesso. Fizemos parte da montagem e nunca fizemos parte da supervisão

- Como iniciou o projeto da Get Sports para o Londrina?

Procuramos os dirigentes de Londrina no mês de abril/maio de 2010 porque soubemos que a cidade estaria disposta a formar uma equipe profissional para a disputa da Superliga 2010/2011. Neste momento soubemos das intenções e nos colocamos a disposição para ajudar no que fosse necessário. Algum tempo depois fomos procurados pela instituição que nos confirmou o interesse em formar a equipe e nos convidaram a auxiliar na elaboração do projeto. Na semana seguinte estivemos em Londrina onde sugerimos um formato para o projeto e levamos duas opções para possível patrocínio. Estes dois possíveis patrocinadores foram de imediato descartados, pois não havia forma de inseri-los naquele momento. Desta forma sugerimos que iniciássemos o projeto na temporada 2011/2012 porque assim teríamos todo o tempo de maio de 2010 a abril de 2011 para buscar novos parceiros. Algum tempo depois fomos contactados novamente pelos dirigentes que nos informaram haver um recurso disponível, recurso este que estava destinado ao basquete que por sua vez não iria participar da Liga Nacional. Segundo nos informaram o Sr Prefeito sugeriu que este patrocínio fosse destinado ao voleibol e a ideia foi acatada pelo patrocinador. Naquele momento fomos questionados se ainda havia tempo para iniciar o projeto no ano de 2010 e nossa resposta foi de que estávamos muito atrasados, mas que poderíamos tentar.

- Como ocorreu a busca por jogadores, já que o tempo não ajudava?

Tomamos o cuidado de montar a equipe com atletas de alto nível, muitos deles com experiência internacional e passagem por seleção brasileira além de dois atletas estrangeiros para elevar o nível técnico. De todos estes atletas somente dois deles tinham proposta para atuar em outras equipes. Todos os demais estavam desempregados e se encontravam sem equipe, inclusive jogador de seleção brasileira. Agora quero deixar claro que quando reiniciamos o trabalho o orçamento estava fechado e fomos contratados para montagem da equipe e buscar novos parceiro para a temporada seguinte.

- O que falar sobre patrocinadores e os problemas financeiros ocorridos na temporada?

Logo após a apresentação da equipe fomos informados de que o patrocinador master, aquele mesmo que patrocinava o basquete no ano anterior e pelo que consta também não cumpriu com o pagamento dos atletas, disse que não iria fazer parte do projeto. Segundo a prefeitura se isso acontecesse ela teria como colocar outro parceiro em seu lugar, fato que não ocorreu. Começou nossa busca por outros patrocinadores para que pudéssemos preencher o espaço que ficou em aberto. Quero destacar que está busca já estava sendo feita, mas com calma e planejamento para a temporada seguinte. Levamos a Londrina cinco patrocinadores, um deles foi descartado imediatamente. Dos outros quatro, apenas um foi recebido pela prefeitura e está até o momento esperando os documentos que foram solicitados para avançar com o patrocínio. Da mesma forma todos os outros que nem sequer foram recebidos pelo gabinete estão a espera de informações porque demonstraram interesse em fazer parte do projeto.

- Como você considera o trabalho realizado pela Get Sports?

Nosso trabalho de consultoria para a montagem da equipe foi de muito sucesso, já que o time esteve muito próximo da classificação para os playoffs e em determinados momentos esteve à frente até mesmo de grandes equipes do vôlei nacional sendo considerada a sensação da Superliga. (...) Aos que criticam nosso trabalho quero informar que no período de 26/12 a 31/12/2011 nos foi solicitado comprovante de pagamento dos atletas para a saída do recurso fornecido pela Fundação de Esportes e desta forma garantir este repasse para o todo o ano de 2011. Este documento nos foi solicitado no dia 30 de dezembro às 15h30min (30 minutos antes do fechamento da agencia bancária no Brasil). A empresa trabalhou até dia 29/12 por conta do feriado de final de ano e retomaria as atividades no primeiro dia útil de janeiro. O local onde nos encontrávamos as agências encerram as atividades às 15h. Passamos o dia 31 de dezembro de 2010  das 12h às 14hs dentro da agencia bancária em outra cidade que não a de origem da empresa para resolver este problema e garantir os pagamentos futuros aos atletas.

- Quais foram às medidas tomadas por vocês para que auxiliar os atletas nesta questão de salários atrasados?

Na ultima partida da Superliga na cidade de Londrina estivemos presente juntamente com nosso jurídico para cobrar dos dirigentes alguma atitude e forma de acordo para quitação dos débitos. Aos atletas foi solicitado que permanecessem no recinto para esta reunião, mas alguns não entenderam como importante e acabaram por se ausentar. Continuamos em contato com os dirigentes e no ultimo mês levamos inclusive um grande patrocinador que aceitou quitar os débitos e assumir um belo aporte para continuidade do projeto visando as Olimpíadas de 2016. Mais uma vez esta opção foi descartada pela prefeitura. Em contato telefônico com o Sr prefeito, ele nos pediu um pouco mais de paciência, e nos garantiu que vai cumprir com tudo o que prometeu e que faria esforços para quitar todos os salários em atraso. Pediu também que tivéssemos paciência até o final do mês de julho para que isso ocorresse. Quero dizer que em nenhum momento deixamos de manter contato com os dirigentes e cobrá-los quanto aos pagamentos em atraso. Além disso, nosso departamento jurídico está a disposição dos atletas para assessorar no que for necessário. Quanto a Get Sports, a nossa remuneração até o momento é zero. Diferente dos atletas que receberam 50% do contrato, a empresa que presta assessoria não recebeu nenhum centavo pelos trabalhos realizados, sendo que os gastos com deslocamento, telefone e planejamento correm por nossa conta.

- Durante a Superliga ocorreu em algum momento a possibilidade da saída de jogadores?

Alguns atletas receberam proposta par sair da equipe e optaram por continuar, somente o Robert Tarr (jogador norte-americano) aceitou e foi jogar em outro país. Outros atletas que mais tarde foram sondados por equipes de outros países não foram liberados pelos dirigentes do clube. Quero também dizer que sempre estivemos em contato com os dirigentes responsáveis pela equipe e cobrando os vencimentos em atraso Por diversas vezes nos foi colocado a culpa pelo atraso dos vencimentos onde era citado que a empresa não levou o patrocinador que havia prometido e por isso o salário estava atrasado. Repito: Quando fomos chamados para dar consultoria ao projeto o orçamento estava fechado. Trabalharíamos para buscar novos parceiros e isso ocorreu com sucesso. Até hoje interessados em patrocinar a equipe estão sem resposta e sendo tratados com descaso pela prefeitura, da mesma forma que todos os envolvidos.

foto: Blog Bandsports/Divulgação 

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